Enxaguante bucal
Pesquisadores acreditam que fazer gargarejo com enxaguante bucal pode ajudar a conter a transmissão do novo coronavírus. Foto: Dentistry Online

Enxaguante bucal pode reduzir a transmissão do novo coronavírus

Um novo estudo sugere que enxaguantes bucais existentes no mercado poderiam, na teoria, inibir a multiplicação do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Os pesquisadores responsáveis afirmam que são necessários novos estudos para confirmar seus achados especulativos.

Caso os testes clínicos comprovem a efetividade dos enxaguantes bucais contra o coronavírus, os achados do estudo realizado pelos pesquisadores da Cardiff University e publicado no jornal Function, poderiam servir como mais uma opção para reduzir a transmissão da COVID-19 enquanto os cientistas consigam produzir e disponibilizar uma vacina contra a doença. Entretanto, a estimativa dos cientistas é que essa vacina demore, no mínimo, 12 a 18 meses para ser desenvolvida.

Enquanto isso, outros cientistas estão se dedicando a estudar formas de reduzir a taxa de infecção a níveis controláveis que não sobrecarreguem as instalações hospitalares do sistema de saúde.

Uma dessas áreas de estudo tem como objetivo evitar que o vírus infecte a célula hospedeira e se multiplique.

Abrindo os envelopes com enxaguante bucal

Assim como outros vírus, o novo coronavírus possui uma membrana externa chamada de envelope. O coronavírus retira o material para formar esse envelope das próprias células que ele infecta, e isso facilita a sua multiplicação para outras células. Se os cientistas conseguirem "abrir" esse envelope, a velocidade de multiplicação do vírus dentro do organismo pode diminuir.

Justamente por esse motivo, autoridades e organizações de saúde recomendam que as pessoas lavem as mãos e superfícies com sabão ou álcool regularmente. O presente estudo propõe que alguns tipos de enxaguante bucal disponíveis no mercado podem ser capazes de abrir os envelopes do coronavírus.

Alguns cientistas já demonstraram que o novo coronavírus possui uma replicação significativa na garganta das pessoas. Isso significa que uma pessoa infectada pelo coronavírus provavelmente terá a maior carga viral nessa região. Com uma quantidade elevada de vírus na garganta, fica mais fácil transmitir o vírus quando a pessoa respira, tosse ou espirra.

Embora existam poucos estudos na literatura sobre os efeitos de baixas concentrações de álcool nos envelopes virais, os autores se dedicaram às pesquisas em células de mamíferos. Como o envelope viral é feito a partir dessas células, poderia ser possível comparar os efeitos nessas células com os efeitos no envelope viral.

Após fazer uma revisão da literatura, os pesquisadores chegaram à conclusão que existe um bom motivo para sugerir que alguns produtos feitos com baixa concentração de álcool poderiam, em teoria, ser capazes de quebrar o envelope viral do novo coronavírus.

No entanto, os autores deixam claro que a pesquisa é especulativa, e são necessárias pesquisas para desvendar se um enxaguante bucal consegue, de fato, atingir o novo coronavírus.

Apesar disso, o estudo mostra que essa é, sem dúvida, uma valiosa área de estudo. Em razão da pandemia de coronavírus, esse tipo de pesquisa ganha relevância urgente entre os cientistas.

Artigo original: Mouthwash may reduce spread of the new coronavirus